Com
-9 meses de idade, eu descobri o que é o amor. Se eu o sentia? Não sei, mas
posso descrever cada sensação da minha mãe ao saber que tinha uma pequena vida
embrulhada em seu ventre. O carinho com que ela me acariciava, como se eu fosse
o mundo para ela. Os cuidados que ela tinha só para me ver saudável. Tudo o que
ela deixou de comer só para que eu nascesse mais rechonchuda que a lua cheia...
Bom, e essa sou eu: a Lua.
Eu
descobri meu nome, assim que nasci. Luna Valentine, era como seria reconhecida neste
planeta pelo resto dos meus dias. Meu pai, que morava na Itália, e minha mãe,
que sempre viveu no Brasil, não podiam se ver com frequência, mas tinham uma
coisa que os ligava entre milhares de hectares do maior oceano do mundo: a Lua.
O brilho dela lembrava minha mãe dos olhos dele, e meu pai, ao olhar para o
céu, já tinha o sorriso dela em sua mente. Eram dois apaixonados, unidos por
São Valentin e ligados pela Lua e por sua primeira filha, eu, a “Lua dos
apaixonados”.
Assim
que saí do hospital, descobri a luz do sol. Descobri a minha família, a minha
casa, o cheiro do aconchego. Descobri aquele que seria meu companheiro de vida,
que me apoiaria em tudo o que eu fizesse, que me contaria histórias até eu
dormir. Eu descobri meu avô. O toque de sua mão me tranquiliza até hoje, as
palavras que saem de sua boca entram no meu ouvido como uma leve melodia de
primavera. Os poemas de 9 versos que, mesmo com 90 anos, ele lembra e recita
como se fosse a primeira vez, fazem com que eu me sinta a pessoa mais sortuda
do mundo!
Com
1 ano, descobri que eu podia caminhar. Eu posso não lembrar de detalhes, mas
imagino que tenha sido uma das melhores coisas que já me aconteceu. Tocar a
grama com meus dedinhos do pé, sentir as folhas do chão fazendo cócegas nos
meus calcanhares, perceber que eu não dependia de alguém para ir aonde eu
queria (o berço, o lugar onde eu guardava meus brinquedos, minha cozinheira
pessoal - que atende pelo nome de “mãe”).
Com
1095 dias no planeta, descobri o poder da escrita e da leitura. Não sei qual
foi a primeira coisa que relatei no papel, mas sei que o que eu mais gostava
era de fazer a lista de supermercado para minha mãe, que ditava os fonemas de
cada palavrinha com a maior paciência do mundo. Descobri que eu conseguia decifrar
aqueles símbolos, não mais estranhos para mim, dos anúncios dos “outdoors”, dos
rótulos de comida, dos rodapés dos jornais, das revistas de promoção e das
histórias em quadrinhos. Mas minha descoberta das palavras não parou por aí. A
cada dia que se passa, eu descubro neologismos dentro de mim, metáforas ainda
por se formarem.
Com
4 aninhos, descobri o que é ser professor. Senti que essas pessoas que nos
ensinam vão de corpo e alma no trabalho e dão de tudo para que nós, seus
alunos, possamos nos tornar melhores seres humanos, com mais cultura,
conhecimento e diversidade de assunto. Descobri o poder do ensino, do carinho
recíproco entre mestre e estudante, da paixão pela profissão. Descobri o quanto
é bom distribuir elogios sem precisar receber nada em troca para aqueles que
nos emprestam, todos os dias, um pedacinho de seus cérebros.
Também,
nesse período, descobri que existe, sim, bicho-papão, e que atende pelo nome de
“mentira”. Conheci-o no dia em que chamei minha mãe de “chata” - o que me valeria
um dia de castigo. Mas, ao que ela me perguntou indignada se eu havia dito
mesmo isso, respondi que não; pronto, um dia se tornou uma semana sem fazer as
coisas que eu gostava. Descobri um poder bem ruim na mentira, que nos priva do
que gostamos e nos presenteia com um peso na consciência. Palavras não
voltam... Se não se diz coisas ruins, não há nada para esconder, logo, não há
motivo para mentir.
Descobri
minha melhor amiga aos 7 anos. Miel Caramel é o nome da “Cocker Spaniel”
orelhuda que ganhou meu coração com 28 dias de idade. Hoje, após 8 anos
convivendo comigo, eu ainda não consigo olhar para os seus olhos caídos de
paixão e não morrer de amores por ela, que me acorda com um pulo na cama e com
“beijinhos” no meu ouvido, que ama brincar com uma vassoura, que acha que vou
roubar sua comida cada vez que chego perto. A nossa amizade não tem fim.
Aos
meus 11 anos, descobri o que é sentir saudade de verdade. Mudei de cidade e
deixei minha família, meus amigos, minha escola e todas as pessoas que eu mais amava.
Era o início de uma nova fase na minha vida e eu estava animada com isso, mas
era muito difícil não pensar em tudo o que estava longe de mim e que eu não
podia ver todos os dias. É, a saudade ainda me acompanha em alguns momentos,
mas eu a sinto de uma forma diferente; não é mais aquela saudade que dói.
Aprendi a lidar com ela, e agora só sinto uma leve nostalgia de coisas que me
aconteceram, mas que para sempre estarão comigo guardadas na minha memória e
nos versos de cada poema meu.
Junto
com isto veio A Grande Descoberta: bem-querer não ocupa espaço! Não precisa
sair ninguém nem nada do coração da gente para entrar mais outro montão de
gente e memórias.
Nessa
mesma época, descobri o que eu queria ser para o resto da minha vida. Médica?
Engenheira? Administradora? Não. Eu quis ser escritora. Quis transformar cada
pensamento meu em prosa e estrofes, em figuras de linguagem, em livros com
muitos capítulos. Ainda quero. E, na verdade, é um sonho que, eu tenho certeza,
será realidade. Quero mostrar ao mundo o ângulo pelo qual eu enxergo a vida, o
que eu sinto quando vejo o pôr-do-sol e toda forma de poesia no planeta. Quero
que todos percebam o encanto e a grandeza de se ver a vida com os olhos do
amor, que é como eu enxergo as coisas.
Hoje,
com 15 anos, ando por aí descobrindo novas formas de viver. Descubro-me mais a
cada dia que se passa, desfaço-me de ações convencionais e procuro por novas
lentes que se encaixem na minha câmera que fotografa vivências. Descubro-me de
preceitos passados e me cubro com novas experiências e valores que nutram minha
realidade. É dessa forma que eu, Luna Valentine, cuja primeira coisa que
aprendi foi a amar, descubro a vida.

Luna, já havia lido esse seu texto e achei de uma delicadeza impressionante, exatamente como Vc, fadinha! Continue nos brindando com seu mundo! Beijos
ResponderExcluirObrigada, Fer! Vc é uma querida, te adoro!! 😘
ExcluirMaravilhada... Parabéns querida vc domina a arte, não tenho dúvidas que será uma das melhores de seu tempo. Beijos e muito sucesso princesa linda. Mamãe Gracy parabéns pela linda filha, mostrou que quem sai aos seus não degenera. Bjus queridonas.
ResponderExcluirObrigada pelo apoio, te adoro!
ExcluirNão te conheço, mas, convivi com tua mãe uma pequena parte de nossas vidas.
ResponderExcluirParabéns vc escreve muito bem.
Continue se esmerando.
Vc consegue dar aquele gostinho de quero mais.
Desejo que Deus te ilumine cada dia mais com sua sabedoria.
Bjs
Amém, obrigada!
ExcluirParabéns Luna. Adorei seu texto! Muita luz nesta caminhada. Sucesso e beijos
ResponderExcluirParabéns Luna. Adorei seu texto! Muita luz nesta caminhada. Sucesso e beijos
ResponderExcluirObrigada!!!!
ExcluirSeguir seu coração e ver o mundo com o olhar do amor. Parece tão fácil mas é algo raro e que, na minha concepção, caracteriza seres especiais...
ResponderExcluirNesse caminho e com esse foco, tenho certeza que conquistarás tudo que almejar, primita!
Bjs pra ti e pra mãe orgulhosa ��
Obrigada, Fábio!!!! ❤❤
ExcluirTexto lindo e gostoso de ler. Parabéns, continue escrevendo e nos presenteando com eles. Adorei. Bjs
ResponderExcluirObgg!!!
ExcluirEmocionei aqui, Luna-Lua. Cada pedacinho do seu viver representa um pedacinho do viver da gente. Essa é uma das maiores qualidades de um escritor: por meio de um, representar muitos - muitos seres, muitos sentimentos, muitas vivências, muitos saberes... Já sentia que você seria especial antes de você nascer, porque acompanhei um pouco da sua vida uterina e do amor com o qual você ia inspirando a sua mamãe dia após dia, enquanto esse amor ia alimentando a sua vida e iluminando, mais e mais, a vida da sua mamãe. Sim: você foi muito bem-vinda! E sim, é uma delícia ver, agora, o resultado desse amor que eu conheci lá atrás, seja porque ele ainda faz os olhos da sua mamãe brilharem como no momento em que ela soube da sua chegada, seja porque você se tornou alguém capaz de fazer mais e mais olhinhos brilharem. MUITO feliz por este presente. Feliz por sua mamãe, feliz por sua Vida, feliz por nós, a quem você também decidiu presentear. Grata. <3
ResponderExcluirObrigada pelo apoio!!
ExcluirParabéns Luna! Que você continue seguindo seu coração e nos presenteando com lindos textos como esse!
ResponderExcluirObrigada, Claudia!!
ExcluirObrigada pelo apoio, Lu!!!
ResponderExcluirMaravilhoso!! Maravilhosa! Chorei aqui um pouquinho... Lindo!
ResponderExcluirObrigada, Bru!!
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