domingo, 12 de março de 2017

Teorias no Semáforo

Era hora de ir à escola, umas seis e quarenta da manhã, mais ou menos. Saímos de casa, minha mãe e eu, esperando menos trânsito e mais semáforos abertos. Mas, é claro, não foi o que aconteceu.

Lá pelo vigésimo sinal vermelho com o qual nos deparamos na Rua José Antônio, sem nada para fazer, começamos a observar o ambiente que nos rodeava.

À nossa direita, um homem todo másculo, porte de academia, acabava de estacionar sua moto diante de uma butique e tirava seu capacete a fim de entrar na lojinha. O que estaria fazendo um cara daquele jeito em uma loja de produtos femininos?

O homem (chamava-se Christian), ao chegar em casa na tarde anterior, encontrara sua namorada, cheia de ódio, gritando e tendo chiliques. Ele, sem entender nada, perguntara o que houvera. Jacira, em vez de responder, gritara mais ainda e dissera que estava tudo acabado. Saíra batendo a porta de maneira estrondosa.

No dia seguinte, confuso com o que acontecera, tentou reatar as relações com a ex-namorada. Pensou no que ela mais gostava e em um presente relacionado a isso. Foi então que se lembrou de como Jacira amava roupas novas e de como ela, todo dia, reclamava que Christian não era capaz de lhe dar “nem uma blusinha!”

Para completar todo esse pensamento, lembrou-se, ainda, de que tinha uma amiga que havia inaugurado recentemente uma butique de roupas femininas e que, desde então, insistia para que ele fosse visitar. Pronto! Acabara de matar dois coelhos com uma só cajadada. Visitava a loja de sua amiga e, ao mesmo tempo, tramava uma surpresa a Jacira. Estacionou sua moto, decidido, diante do estabelecimento. A amiga o recebeu muito bem e o ajudou na escolha da roupa.

Naquela noite, Christian chamou Jacira para jantar em sua casa. Ela, um pouco receosa, decidiu não recusar.Quando chegou, ela ficou espantada. A humilde sala, agora à meia-luz, transformara-se em um ambiente aconchegante e luxuoso. Velas estavam dispostas em cima de cada móvel e, sobre a mesa, havia um inesperado buquê de rosas. Christian a esperava, de gravata vermelha e paletó, com algo em sua mão. Em um piscar de olhos, ele estava ajoelhado, com um anel na mão; Jacira chorando, ele, pedindo-a em casamento. As roupas foram entregues, junto com um beijo, a ela.

Foi então que o sinal se abriu e ficamos sem saber se Christian realmente tinha brigado com Jacira, ou se Christian ao menos tinha uma namorada, ou se Christian sequer chamava-se Christian.






*Esse texto foi inspirado em um hábito que tenho de imaginar o que está acontecendo na vida das pessoas que passam por mim e se encontram em alguma situação incomum. Teorias no semáforo, no parque, no shopping ou onde for, o que eu não deixo de lado é meu hábito de inventar histórias!

2 comentários:

  1. Adorei, como sempre! Espero que Jacira e Christian façam um casamento campestre, pela manhã, cheio de flores coloridas! ♡♡♡

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    1. hahaha, tomara que sim! fica por conta da sua imaginação escolher agora ;) !

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