Era hora de ir à escola,
umas seis e quarenta da manhã, mais ou menos. Saímos de casa, minha mãe e eu,
esperando menos trânsito e mais semáforos abertos. Mas, é claro, não foi o que
aconteceu.
Lá pelo vigésimo sinal
vermelho com o qual nos deparamos na Rua José Antônio, sem nada para fazer,
começamos a observar o ambiente que nos rodeava.
O homem (chamava-se
Christian), ao chegar em casa na tarde anterior, encontrara sua namorada, cheia
de ódio, gritando e tendo chiliques. Ele, sem entender nada, perguntara o que
houvera. Jacira, em vez de responder, gritara mais ainda e dissera que estava
tudo acabado. Saíra batendo a porta de maneira estrondosa.
No dia seguinte, confuso
com o que acontecera, tentou reatar as relações com a ex-namorada. Pensou no
que ela mais gostava e em um presente relacionado a isso. Foi então que se lembrou
de como Jacira amava roupas novas e de como ela, todo dia, reclamava que
Christian não era capaz de lhe dar “nem uma blusinha!”
Para completar todo esse
pensamento, lembrou-se, ainda, de que tinha uma amiga que havia inaugurado recentemente
uma butique de roupas femininas e que, desde então, insistia para que ele fosse
visitar. Pronto! Acabara de matar
dois coelhos com uma só cajadada. Visitava a loja de sua amiga e, ao mesmo
tempo, tramava uma surpresa a Jacira. Estacionou sua moto, decidido,
diante do estabelecimento. A amiga o recebeu muito bem e o ajudou na escolha da
roupa.
Naquela noite, Christian
chamou Jacira para jantar em sua casa. Ela, um pouco receosa, decidiu não
recusar.Quando chegou, ela ficou
espantada. A humilde sala, agora à meia-luz, transformara-se em um ambiente
aconchegante e luxuoso. Velas estavam dispostas em cima de cada móvel e, sobre
a mesa, havia um inesperado buquê de rosas. Christian a esperava, de gravata
vermelha e paletó, com algo em sua mão. Em um piscar de olhos, ele estava
ajoelhado, com um anel na mão; Jacira chorando, ele, pedindo-a em casamento. As
roupas foram entregues, junto com um beijo, a ela.
Foi então que o sinal se
abriu e ficamos sem saber se Christian realmente tinha brigado com Jacira, ou se
Christian ao menos tinha uma namorada, ou se Christian sequer chamava-se
Christian.
*Esse texto foi inspirado
em um hábito que tenho de imaginar o que está acontecendo na vida das pessoas
que passam por mim e se encontram em alguma situação incomum. Teorias no
semáforo, no parque, no shopping ou onde for, o que eu não deixo de lado é meu
hábito de inventar histórias!

Adorei, como sempre! Espero que Jacira e Christian façam um casamento campestre, pela manhã, cheio de flores coloridas! ♡♡♡
ResponderExcluirhahaha, tomara que sim! fica por conta da sua imaginação escolher agora ;) !
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